Um diagnóstico recorrente em discussões sobre diversidade corporativa é que as empresas têm um pipeline feminino abastecido, mas a torneira para cargos de liderança permanece fechada. Segundo análise recente, a maioria das organizações não enfrenta escassez de talentos femininos, mas sim um entrave na conversão dessas profissionais para posições de alta gestão.
Problema de conversão, não de pipeline
De acordo com especialistas, “a maioria das empresas não tem um problema de pipeline feminino. Tem um problema de conversão”. A afirmação inverte a lógica comum de que faltam mulheres qualificadas no mercado. Na prática, o gargalo está nos processos internos que dificultam a ascensão feminina.
A diferença entre pipeline e conversão é onde a maioria das iniciativas de desenvolvimento de liderança para de olhar. Enquanto muitos programas focam em aumentar o número de mulheres contratadas ou promovidas a níveis iniciais, poucos investigam por que elas não avançam proporcionalmente aos homens nos níveis hierárquicos superiores.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Arquitetura, não intenção
“Esse não é um problema de intenção. É um problema de arquitetura”, apontam os analistas. A declaração sugere que as barreiras não decorrem de má vontade ou preconceito explícito, mas de estruturas organizacionais — como critérios de avaliação, redes de patrocínio e acesso a oportunidades — que favorecem determinados perfis.
“Essa é a conversa que a maioria das organizações ainda não teve”, complementam. O silêncio não é por desconhecimento. “A maioria das organizações não teve essa conversa não porque não sabem que precisam, mas porque sabem exatamente o que vão encontrar quando a tiverem.” O receio de confrontar vieses enraizados e privilégios estabelecidos adia o debate necessário.
Iniciativa para nomear a arquitetura
Foi para enfrentar essa lacuna que surgiu o At the Table, programa criado na consultoria A&M. “Foi exatamente para nomear essa arquitetura que criamos o At the Table na A&M”, explicam os idealizadores. O programa propõe diálogos entre lideranças seniores e lideranças femininas em desenvolvimento, com foco em como o Go-to-Market (GTM) realmente acontece na prática.
O foco do At the Table é como o GTM, a capacidade de originar e gerar negócios, realmente acontece na prática — e não como deveria acontecer. Ao mirar no processo real de geração de receita, a iniciativa busca desvendar os mecanismos informais que muitas vezes excluem mulheres de oportunidades-chave.
A fonte não detalhou resultados ou métricas do programa, mas a proposta indica um caminho para transformar a conversa sobre diversidade em ação concreta. Enquanto isso, o desafio de converter pipeline em presença na alta liderança permanece na agenda corporativa.




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