O debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força e pressiona empresas a repensarem custos, produtividade e gestão do trabalho. Para a advogada trabalhista Claudia Securato, sócia do Securato Advogadas, a discussão não deve ser tratada apenas como ameaça à folha de pagamento, mas como oportunidade para rever modelos de gestão, retenção e competitividade.
Oportunidade além dos custos
Claudia Securato afirma: “Claro que devemos programar os custos, mas não podemos reduzir a discussão a isso. Devemos pensar principalmente que é uma oportunidade”. Segundo ela, absenteísmo, turnover, afastamentos por saúde, perda de engajamento e indenizações também pesam no caixa. Jornadas exaustivas podem parecer mais baratas no curto prazo, mas se tornam caras no médio e longo prazo.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Adaptação depende de maturidade
Organizações com maior maturidade tecnológica, gestão profissionalizada e modelos mais flexíveis tendem a se adaptar com mais facilidade. Algumas empresas já operam com jornadas de 40 horas, regimes híbridos e maior autonomia sem perda de performance. Por outro lado, pequenas e médias empresas, especialmente as mais tradicionais, devem sentir mais dificuldade.
Questão cultural e gestão
Para a especialista, isso revela uma questão cultural profunda: o Brasil ainda valoriza muito a presença física e o tempo disponível, em vez de medir produtividade por entrega, eficiência e resultado. A discussão obriga empresas a responderem uma pergunta incômoda: sua operação depende de mais horas ou de melhor gestão?
Sinais de esgotamento social
Para Claudia, a escala 6×1 dá sinais de esgotamento social e jurídico. Empresas que ignorarem esse movimento podem ser cobradas não apenas por colaboradores, mas também por órgãos reguladores, Justiça do Trabalho e pelo próprio mercado. Em setores com alta rotatividade, a redução da jornada pode representar um ganho competitivo.
Atração e retenção de talentos
A nova geração de trabalhadores demonstra menor disposição para trocar saúde e vida pessoal por salário. Flexibilidade, descanso e respeito à saúde mental viraram moedas importantes na atração de talentos. Na avaliação de Claudia, empresas que resistirem a modelos mais humanos podem perder profissionais para concorrentes com propostas de trabalho mais atrativas. O custo dessa perda aparece em recrutamento, treinamento, queda de produtividade e perda de conhecimento interno.
Planejamento é essencial
O fim da escala 6×1 não será resolvido por uma única medida. Em muitos casos, exigirá três movimentos ao mesmo tempo: mais tecnologia, novas contratações e gestão mais inteligente da operação. O Brasil já enfrenta dificuldade de contratação em áreas como varejo, logística, alimentação e serviços. A mudança exigirá planejamento — não improviso.




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