A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor e amplia as exigências sobre riscos psicossociais, pressionando organizações a revisarem cultura, liderança e condições de trabalho. A mudança desloca o foco da responsabilidade individual para a estrutura organizacional, tornando a saúde mental um tema estratégico para as empresas.
Mudança no gerenciamento de riscos
Com a atualização, organizações de todo o país passam a ser fiscalizadas também por fatores como estresse ocupacional, burnout, assédio moral, sobrecarga, violência psicológica e condições organizacionais que possam comprometer a saúde mental dos colaboradores. A mudança amplia o escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Empresas passam a precisar identificar, monitorar e reduzir fatores de risco psicossocial da mesma forma que já fazem com riscos físicos, químicos ou ergonômicos. Isso inclui revisão de jornadas, pressão excessiva por resultados, dinâmicas de liderança, relações interpessoais e ambientes considerados emocionalmente inseguros.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Grupo Amil se antecipou
O Grupo Amil está entre as organizações que decidiram antecipar esse movimento. Ricardo Burgos, vice-presidente de pessoas do Grupo Amil, afirma que a mudança exige mais do que adequação técnica e implica transformação cultural, com protagonismo das lideranças. Segundo ele, produtividade e bem-estar deixam de ser temas opostos dentro das organizações, e o desafio é equilibrar ambos, entendendo que são interdependentes.
Antes mesmo da atualização da NR-1, a Amil iniciou, em 2021, um trabalho estruturado para monitorar fatores ligados à saúde emocional dos colaboradores. A estratégia foi construída com base em dados e instrumentos de avaliação internacionalmente validados, como o PROMIS e o HSE Indicator Tool, posteriormente incorporados à pesquisa de experiência do colaborador.
Monitoramento baseado em dados
Ao longo dos últimos anos, mais de 100 mil formulários foram aplicados dentro da organização. A empresa passou a cruzar resultados de questionários com indicadores como absenteísmo, afastamentos médicos e atendimentos ambulatoriais, criando uma base robusta para análise contínua dos riscos psicossociais.
Eduardo Morbin, gerente de saúde ocupacional, segurança do trabalho e meio ambiente do Grupo Amil, explica que o monitoramento permitiu acompanhar os impactos da pandemia e entender como os fatores de risco mudaram ao longo do tempo. Durante o período mais crítico da pandemia, houve comprometimento transversal da saúde mental, atingindo diferentes áreas de forma semelhante, com destaque para ansiedade, depressão, isolamento social e luto.
Desafios persistentes
Com o avanço da vacinação e a continuidade das ações internas, alguns indicadores começaram a melhorar, especialmente os ligados à ansiedade e isolamento. No entanto, segundo Eduardo Morbin, a depressão continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas. A nova NR-1 reforça a necessidade de ações contínuas e estruturadas para lidar com esses riscos.




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