NR-1 riscos psicossociais: RH e lideranças em corrida contra o tempo

NR-1 riscos psicossociais: RH e lideranças em corrida contra o tempo

Riscos psicossociais viram prioridade

A nova etapa da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entra em fase decisiva e coloca os departamentos de Recursos Humanos, lideranças e Saúde e Segurança do Trabalho (SST) em uma corrida contra o tempo. A inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) derruba os antigos muros entre departamentos e exige uma abordagem integrada.

Para a Dra. Silvia Prinholato, Diretora Médica da Howden Brasil, as empresas precisam sair do diagnóstico e transformar riscos psicossociais em plano de ação, evidências, governança e prevenção real. A NR-1 exige um processo contínuo de identificação de perigos, avaliação de riscos, adoção de medidas preventivas e acompanhamento. Isso significa que as organizações não podem mais tratar a saúde mental como um tema periférico.

A dúvida também chega à fiscalização: o que será entendido como ação preventiva efetiva? A resposta ainda não está clara, mas a exigência por evidências será rigorosa. Também será necessário diferenciar riscos gerais, presentes em toda a empresa, daqueles associados a áreas, setores ou atividades específicas.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Assédio como risco crítico

Um dos pontos mais sensíveis da nova etapa da NR-1 é o tratamento do assédio. Segundo Silvia, o assédio deixa de ser apenas uma questão ética ou comportamental e passa a ser considerado risco crítico dentro da gestão ocupacional. Em uma auditoria, o fiscal não perguntará apenas se a empresa é contra o assédio. A exigência será por evidências de que existe um sistema robusto de prevenção e resposta.

O recado para o RH é direto: discurso institucional não basta. Será preciso demonstrar prevenção, rastreabilidade e capacidade de resposta.

Lideranças sob pressão dupla

A preparação das lideranças aparece como um dos maiores desafios porque exige mudança de comportamento e cultura. No Brasil, muitas lideranças foram formadas com foco em indicadores, eficiência operacional e cobrança de resultados. Gestores podem sofrer uma pressão dupla: precisam entregar resultados aos superiores e, ao mesmo tempo, garantir um ambiente psicologicamente seguro para seus liderados. Essa dualidade exige novas competências e suporte organizacional.

Saúde mental como variável organizacional

A NR-1 tem potencial para acelerar uma transformação cultural importante. A saúde mental deixa de ser vista como uma responsabilidade apenas individual ou como uma questão de estilo de vida. Passa a ser tratada como variável organizacional. Para Silvia, a norma será uma catalisadora dessa mudança ao posicionar a saúde mental como item de extrema importância dentro da segurança e saúde do trabalho. A urgência da NR-1 está justamente no fato de que ela exige mais do que intenção.

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